sábado, 19 de dezembro de 2015

A Fundação de São Vicente

O quadro abaixo intitulado A fundação de São Vicente foi pintado por Benedito Calixto em 1900 sob encomenda da prefeitura de São Vicente. Para a pintura do quadro, Calixto utilizou referências de documentos da época (século XVI) a fim de tornar esta pintura uma verdadeira fonte de estudo histórico iconográfico. Alguns estudiosos mencionam que o quadro está situado dentro da tentativa e da necessidade de artistas e intelectuais do século XIX que buscavam inventar uma História para a nação brasileira ainda jovem.



Todavia, para nós, estudiosos da iconografia da tradução, o que nos chama a atenção é a parte abaixo do quadro:



Esta parte da narrativa visual do quadro de Calixto remete ao ato de interação e comunicação dos portugueses com os índios. Podemos identificar Martim Afonso de Souza ao centro, os índios do lado esquerdo e a comitiva portuguesa (soldados e um padre) do lado direito. Além dessa divisão, percebemos três personagens importantes: João Ramalho, Antônio Rodrigues e, possivelmente, Cosme Fernandes Pessoa (o bacharel de cananéia). 
Estes três foram, no século XVI, os grandes intérpretes junto aos índios das comitivas portuguesas mais importantes à época. Os três foram casados com índias e eram conhecidos como "línguas da terra" porque sabiam a língua das tribos indígenas as quais faziam parte.
A evidência destes intérpretes na obra de Benedito Calixto revela a importância do ato da interpretação e de seu agente (o intérprete) para as conquistas do terrítório português que originou o Brasil.


segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Ainda Sobre o Papa e o Concílio

Em postagem anterior já havia mencionando sobre a tradução de Rui Barbosa de O Papa e o Concílio.
Pesquisando em folhetins, encontrei a nota abaixo do jornal O Figaro: Folha Ilustrada que data de 16 de junho de 1877 publicado no Rio de Janeiro:



O editor aclama com louvor a tradução empreendida por Rui Barbosa. Além disso, percebe-se a ênfase dada ao texto como importante instrumento para o debate da Questão Religiosa no Brasil Império.

domingo, 22 de novembro de 2015

Dois trabalhos Sobre Tradução de Música

Aconselho a leitura de dois trabalhos sobre a tradução de músicas e seu agente (o versionista ou tradutor de músicas cantáveis):

Tradução e Música: versões cantáveis de canções populares 

(Dissertação de mestrado sobre o tema em que a parte teórica está muito bem embasada, pertinente e atual visto que ainda são poucos os textos teróricos sobre este assunto em língua portuguesa)

Fazendo arte com letras que vivem no mundo da canção

(Entrevista com com Claudio Botelho, versionista já mencionado aqui no blog)

Ambos os textos são de autoria de Adriana Meinberg. 
Para quem se interessa pelo assunto, vale muito a pena a leitura!

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Indicações de trabalhos sobre Metodologia da História da Tradução

Para aqueles que gostariam de ler mais sobre metodologia da História da Tradução aconselho os trabalhos de José Antonio Sabio:

aqui O discurso sobre tradução em Portugal
aqui Notas para la "história" del traduzir (con mención a sus derivados y a otras expresiones)
aqui Contribución al estudio historiográfico de la traducción. Propuesta de un manual de lecturas guiadas y sus aplicaciones
aqui La metodología en historia de la traducción: estado de la cuestión
aqui Algunas reflexiones acerca del relato canónico de la historia de la traducción y algunas incidencias en el ámbito peninsular


Como a História da Tradução na Penísula Ibérica é muito parecida com a do Brasil ( e, claro, tem estreita relação), vale a pena ler estas reflexões.
Boa leitura!


terça-feira, 29 de setembro de 2015

Tradutores do Setecentos: José Mariano da Conceição Veloso e Manuel Jacinto Nogueira da Gama

Deixo aqui dois artigos interessantes a respeito de dois tradutores do Setecentos brasileiro:

aqui Brasileiro tradutor e/ou traidor: Frei José Mariano da Conceição Veloso

  José Mariano da Conceição Veloso foi responsável por talvez o primeiro projeto de tradução mais importante para a História da Tradução no Brasil: o Arco do cego. Tal projeto visava tornar a língua portuguesa uma língua de expressão científica, bem como difundir conhecimentos a respeito de diversas ciências em solo brasileiro.

aqui Manuel Jacinto Nogueira da Gama: Ciência e tradução no final do século XVIII

Manuel Jacinto Nogueira da Gama foi um dos tradutores do século XVIII que estudou em Coimbra e se tornou importante intelectual contribuindo com traduções científicas para o Brasil. Entretanto, até o presente momento, nos parece ser ele o primeiro brasileiro a refletir sobre a tradução no seu ensaio intitulado "O discurso do tradutor".

Ambos os artigos são de Alessandra Ramos de Oliveira Harden.

Vale a pena serem lidos!

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Os tradutores árcades

No setecentos, junto com o arcadismo brasileiro, tivemos paralelamente muitas traduções, as quais foram feitas, muitas vezes, pelos próprios poetas ácardes como Claudio Manuel da Costa. Todavia, o paradigma desta época são as traduções com intuito ideológico ou um certo tipo de tradução-revolução. 

Muitas foram as traduções feitas secretamente que almejavam difundir as ideias iluministas no Brasil, assim como almejavam o sentimento de brasilidade e indepêndencia. Os artigos abaixo tratam sobre este tema:

aqui Traduções na América Portuguesa: as bibliotecas dos revolucionários brasileiros de Irene Hirsch

aqui A tradução e a Inconfidência Mineira de Irene Hirsch


Boa leitura!

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Chamada para o Simpósio : A tradução e o intercâmbio cultural na América Latina

Convido a todos a submeterem seus resumos para I Encuentro Latino-americano de Culturas: Integración intelectual en nuestra América no Simpósio A tradução e o intercâmbio cultural na América Latina organizado por mim e pleo professor John Milton.

Eis o argumento do simpósio:


Os intercâmbios culturais na América Latina foram intensos desde o descobrimento pelo colonizador europeu; e um dos meios mais eficazes para tal objetivo é a tradução enquanto produto, processo, que é tampem ligada à figura do tradutor. As ideias da Revolução Francesa, conhecidas por meio das traduções, influenciaram a Inconfidência Mineira de 1789, bem como os movimentos de independência da Coroa espanhola em Venezuela e Colômbia. Muitos foram os livros técnico-científicos, didáticos, manuais, compêndios e apostilas traduzidos que traziam os conhecimentos de diversas áreas que auxiliavam na propagação do conhecimento cientifico e no aprimoramento das novas profissões nas Américas. Mais recentemente, a enorme influência dos Estados Unidos deve-se não somente à dominação militar mas também à soft power, que inclui a produção de livros nas áreas de administração, marketing, economia, e o ensino de inglês, especialmente as da McGraw Hill — assim enraizando the American way of life no Brasil. Os modelos literários europeus também foram copiados, e muitos autores-tradutores tiveram contato com a estética europeia literária e os modos de fazer literatura da Europa. O cristianismo e o espiritismo se fixaram na América Latina graças às traduções. Houve um forte sincretismo de crenças e ritos africanos, indígenas e até muçulmanos, dando origem a documentos traduzidos. Os contatos linguísticos e culturais do velho mundo com os indígenas continuam. Desde da utilização dos línguas no início da colonização até os intérpretes médicos em aldeias indígenas, e a textualização da literatura indígena por traduções, transferências e contatos linguístico-culturais. Aceitamos trabalhos sobre: o intercâmbio cultural na formação da América Latina; a transferência das ideias culturais, políticas, econômicas, religiosas, frequentemente pela tradução, da América do Norte e da Europa; a transferência das crenças para a América Latina; e a tradução das culturas indígenas.


Os resumos deve seguir as indicações do site do evento abaixo e serem enviados para Dennys Reis (reisdennys@gmail.com) e John Milton (jmilton@usp.br) até o dia 30 de setembro. Aguardamos a participação de todos!!!
Dennys Reis
John Milton

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

O tradutor José de Anchieta

Para quem se interessa sobre José de Anchieta como tradutor, aconselho a leitura do artigo de Paulo Edson Alves Filho intitulado As traduções do jesuíta José de Anchieta para o tupi no Brasil colonial disponível aqui.
Percebe-se neste artigo como José de Anchieta criou o primeiro paradigma da História da Tradução brasileira: a tradução-redução. Na busca por equivalentes e correspondentes em língua tupi, Anchieta reduz os símbolos religiosos católicos em símbolos aproximativos da cosmologia indíginea, já que nesta as ideias de pecado, deus, confissão, dentre outras não existe.
Vale a pena ler!

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

História da Tradução de Línguas indígenas no Brasil

Os interessados em tradução de língua indígena ou na história da tradução de línguas indígenas, aconselho a leitura do texto Tradução indígena e diversidade cultural de autoria de Eliane Marques Pereira disponível aqui.
O texto discute sobre o complexo ato de traduzir para as língua indígenas, bem como faz um ótimo histórico sobre o assunto no Brasil desde 1500 até a atualidade.
À leitura!

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

José de Ancheita, primeiro autotradutor do Brasil?


Benedito Calixto, Anchieta e Nóbrega na cabana de Pindobuçu, 1920.

Que José de Anchieta era tradutor, isso já é sabido por todos. Como bem ensina a História Literária, Anchieta escrevia peças em Tupi para serem apresentadas aos índios a fim de catequizá-los; todavia, o público português, em especial as crianças portuguesas da colônia, também assistiam a essas dramatizações o que indicava na feitura de um orignal e de uma tradução que nascia quase que instantaneamente uma da outra ou vice-versa.

Logo, já em 1500, Anchieta praticava o que contemporaneamente podemos denominar autotradução. José de Anchieta, portanto, pode ser considerado como nosso primeiro autotradutor na história da tradução brasileira.

domingo, 23 de agosto de 2015

Bibliografia de Metodologia da História



Aos iniciantes em se aprofundar na busca de uma metodologia da História a fim de fazer trabalhos mais consistentes de Historia da Tradução no Brasil, aconselho inicialmente os seguintes livros:

ARRUDA. José Jobson de Andrade. Historiografia: teoria e prática. São Paulo: Alameda, 2014.
BARROS, José D’Assunção. Teoria da História: princípios e conceitos fundamentais. V. 1. Petrópolis: Vozes, 2014.
BATISTA, Ronaldo de Oliveira. Introdução à historiografia da Linguística. São Paulo: Cortez, 2013.
BURKE, Peter (org.). A escrita da História: Novas perspectivas.  Tradução Magda Lopes. São Paulo: UNESP, 2011.
CERTEAU, Michel. A escrita da história. Tradução Maria de Lourdes Menezes. Rio de janeiro: Forenze, 2015.
D’HULST, Livien. Essais d’histoire de la Traduction: Avatars de Janus. Paris: Classiques Garniers, 2014.
DOSSE, François. A História. Roberta Leal Ferreira. São Paulo: UNESP, 2012.
EIHY, José Carlos Sebe; HOLANDA, Fabiola. Historia Oral: como fazer, como pensar. São Paulo: Contexto, 2014.
KOSSOY, Boris. Fotografia & História. Cotia, São Paulo: Ateliê Editorial, 2014.
KOSSOY, Boris. Os tempos da fotografia: o efêmero e o perpétuo. Cotia, São Paulo: Ateliê Editorial, 2014.
LE GOFF, Jacques. A História deve ser dividida em pedaços? Tradução Nícia Adan Bonatti. São Paulo: UNESP, 2015.
MEIHY, José Carlos Sebe; RIBEIRO, Suzana L. Salgado. Guia prático de História oral: para empresas, universidades, comunidades, famílias. São Paulo: Contexto, 2011.
PENNA, Rejane Silva. Fontes Orais e Historiografia – Avanços e perspectivas. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2005.
PINSKY, Carla Bassanezi (org). Fontes Históricas. São Paulo: Contexto, 2015.
PINSKY, Carla Bassanezi; LUCA, Tania Regina (Orgs.). O Historiador e suas fontes. São Paulo: Contexto, 2013.
PROST, Antoine. Doze Lições sobre a História. Tradução Guilherme João de Freitas Teixeira. Belo Horizonte: Autêntica, 2014.

REIS, José Carlos. História e Teoria: Historicismo, Modernidade, Temporalidade e Verdade. Rio de Janeiro: FGV, 2006.

Boa leitura a todos!

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Palestras em SP sobre História da Tradução

Prezados,
Aos interessados, estarei em São Paulo ministrando duas palestras sobre História da Tradução. Eis local e horários:


O CITRAT (Centro de Tradução e Terminologia) e o Programa de Pós-graduação em Estudos da Tradução convidam para as seguintes palestras de Dennys Silva-Reis, UnB, 9h e 10h15, 19 de agosto, Sala Caio Prado, Prédio de História e Geografia, Avenida Professor Lineu Prestes, 338 - Cidade Universitária – São Paulo – CEP 05508- 900, São Paulo


9h: História(s) da tradução no Brasil do século XIX: (re)fazer caminhos

O campo da história da tradução abrange outras áreas das ciências humanas, que já têm história própria. A disciplina que nos propomos a estudar aqui é recente e tem poucos trabalhos específicos no Brasil. Por meio da metodologia da micro-história e também das esferas da tradução, visamos investigar os tempos, os espaços, os discursos e os agentes da história da tradução no Brasil, especificamente no Oitocentos, em que a eclosão de traduções foi muito significativa, em especial no que tange aos folhetins. 

10h15: Por uma história da tradução oral no Brasil do século XIX: uma introdução 

Se para a história da tradução escrita já temos estudos descritivos e relatos críticos, a história da interpretação (ou da tradução oral) ainda está por vir. O trabalho de Lia Wyler (2003) dá um panorama do início dessa história no Brasil Colônia e de sua profissionalização, especialmente no Rio de Janeiro no século XX. Há uma lacuna no século XIX a ser preenchida e da qual ainda não temos grandes investigações. Pretendemos aqui mostrar alguns roteiros possíveis para o estudo da história da interpretação no Brasil no século XIX, bem como expor uma pesquisa inicial do tema.


Aguardo os interessados!

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Impactos da tradução escrita no século XIX

Hoje, foi publicado um artigo meu sobre a História da Tradução no século XIX brasileiro. Eis o resumo do artigo:

O presente trabalho visa mostrar os impactos da tradução escrita na sociedade brasileira oitocentista apontando as histórias de alguns domínios da tradução deste período. Evocar-se-á os campos/esferas da tradução em determinados contextos sociais brasileiros, a personalidade de alguns tradutores, bem como sua importância e a de algumas obras traduzidas. Propõe-se a construção da historiografia da tradução no Oitocentos por tipos de tradução e sua pertinência para a época.


Ele está disponível aqui na Tradução em Revista e aqui no meu academia.eu.

domingo, 28 de junho de 2015

Maria Firmina dos Reis - Tradutora

Anteriormente, fiz uma lista de tradutores negros no século XIX disponível aqui. Quando escrevi, já conhecia a escritora maranhense, negra e abolicionista Maria Firmina dos Reis; todavia, ao estudar um pouco mais sobre as tradutoras do século XIX, deparei-me com duas pesquisas:


MARIA FIRMINA DOS REIS E AMÉLIA BEVILÁQUA NA HISTÓRIA DA LITERATURA BRASILEIRA: REPRESENTAÇÃO, IMAGENS E MEMÓRIAS NOS SÉCULOS XIX E XX de Algemira Macêdo Mendes disponível aqui


MULHERES NEGRAS LETRAS E LITERATURA: Uma Análise da Condição da mulher negra no final século XIX a meados do século XX de Francelene Costa de Santana Oliveira disponível aqui

Ambas as pesquisas mencionam Maria Firmino dos Reis como tradutora, mas não há mais indícios dessa sua faceta.

De fato, estudar uma tradutora negra do século XIX e fora do eixo Rio - São Paulo seria muito interessante. Entretanto, a falta de dados torna mais complexa ainda a pesquisa.
Será que essa falta de dados está ligado ao fato desta tradutora ter sido negra ( e dos resquícios do racismo contemporâneo)?
É claro que há muita coisa em jogo visto que no Maranhão Oitocentista e no Brasil como um todo a tradução era um estágio para a carreira de escritor (como já escrevi aqui) e também que esta escritora não é do cânone. 
Vamos à pesquisa!

domingo, 31 de maio de 2015

Localização ou Transculturação?

Morei um tempo França, e lá adorava uma bebida chamada Orangina:


Indo a uma festinha de criança encontro Laranjinha


A princípio pensei que fosse a tradução no Brasil do rótulo (uma verdadeira localização) mas, de fato, era e é um produto brasileiro produzido em Goiás. Logo, temos uma transculturação ou antropofagia de um produto estrangeiro. (Ou não?)
O que vocês acham?
As similitudes são espantosas, mas os gostos e os materiais são diferentes. Interessante ter vivenciado essa experiência, pois, ter comprado o brasileiro como se fosse o estrangeiro acontece e muito em nossa História da Tradução contemporânea.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Tradutoras do século XIX




Já havia mencionando  aqui em um post anterior a lista de algumas tradutoras do século XIX. Na continuação da pesquisa, encontrei o livro Mulheres de Ontem? Rio de Janeiro – século XIX de Maria Thereza Bernardes e em seu anexo há a seguinte lista de tradutoras:

  1. Ana Euquéria Lopes de Cadaval (Séc XIX - ?)
  2. Beatriz Francisca Assis Brandão (1779 - 1860)
  3. Carolina Von Kozeritz (1866 - ?)
  4. Corina Vivaldi Coaracy (1858 – 1982)
  5. Emília Augusta Gomide Penido (1840 – 1886)
  6. Francisca Maranhão Cavalcanti Albuquerque (1844 - ?)
  7. Maria Augusta Lopes De Sá (Séc. Xix - ?)
  8. Maria José de Andrade (1835 - ?)
  9. Maria Luísa de Oliveira Arruda (1864 - ?)
  10. Nísia Floresta Brasileira Augusta (1810 - 1885)
  11. Victória Colonna (Séc. Xix - ?)
  12. Violante Atabalipa Ximenes de Bivar e Valasco (1817 – 1875)
O interessante desta lista é que essas mulheres não se concentravam somente no Rio de Janeiro, mas também em outras regiões do Brasil. Agora, só falta cada um de nós estudarmos cada uma delas particularmente a fim de saber o que traduziram e porquê.

sábado, 11 de abril de 2015

O estágio da Tradução no século XIX

Se olharmos um pouco nossa História da tradução no Brasil, observaremos que durante algum tempo o trabalho da tradução foi reservado àqueles que não eram escritores ou àqueles que queriam ser escritores. Seria como que um estágio para se tornar escritor.
Isto se deve a inúmeros fatos. Grosso modo, poderíamos citar três:
* A produção literária no Brasil era fraca, isto é, não existia propriamente dita a profissão de escritor;
* Não havia parâmetros para a produção de uma literatura nacional, logo, tudo era imitado da Europa;
* O mercado livreiro estava interessado em lucro, portanto, era mais viável investir em algo que ia trazer dinheiro rápido do que estimular um autor ou a venda de uma obra totalmente desconhecida e de retorno financeiro incerto.
Devido a esses fatos, a tradução era o melhor meio de ter acesso à estética de um texto e de imitá-lo, bem como de estar perto de quem era capaz de lançar um escritor no mercado livreiro: os editores.
Parte desta história nos é contada por Lenita Esteves em seu artigo A tradução no romance-folhetim no século XIX brasileiro disponível aqui.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

A cultura científica e a Gazeta do Rio de Janeiro

Há um artigo muito interessante sobre a constituição da cultura científica no Brasil no início do século XIX: A Cultura Científica e a Gazeta do Rio de Janeiro (1808-1821) de José Carlos de Oliveira disponível aqui.
Dentre os aspectos apontados neste artigo, encontramos muitas características de como era a concepção de tradutor técnico no início do século XIX, além de observarmos também como eram contratados e como trabalhavam tais agentes de tradução.
Vale a pena a leitura!

domingo, 22 de março de 2015

A tradução de livros eróticos no século XIX

Se é verdade que a literatura traduzida teve seu espaço garantido nos folhetins do século XIX, outra literatura também surgiu à época: a literatura para homens. Esses livros se proliferam da década de 70 em diante, começando por traduções de livros eróticos clássicos da Europa como Teresa Filósofa e Miss Fanny até dá impulso a uma produção nacional, originando também um outro tipo de relação tradutória: a imagem e a palavra em traduzida.

Mais informações sobre este assunto pode ser encontradas no livro Páginas de Sensação de Alessandra El Far.


quarta-feira, 18 de março de 2015

A profissão de intérprete em Aracaju -SE

Um artigo super interessante sobre a profissão de intérprete e sua regulação sem Aracaju faz uma retomada historiográfica interessante desta profissão.
Ele pode ser encontrado aqui com o título TRADUTOR PÚBLICO E INTÉRPRETE COMERCIAL: PROFISSÕES EM ARACAJU-SE.

Boa Leitura a todos!

terça-feira, 10 de março de 2015

Livro sobre Tradução de HQ

Para quem gosta de tradução de quadrinhos, deixamos aqui a dica do livro Oficina de tradução do francês: traduzindo quadrinhos de Maria Lúcia Jacob D. Barros. Talvez, esta tenha sido nossa primeira obra brasileira sobre este assunto. Vale a pena conferir!

quarta-feira, 4 de março de 2015

Consigli a mia figlia

Os autotradutores no Brasil não é um assunto novo. Esses dias lendo um pouco mais sobre Nísia Floresta, descobrimos que ela também foi autotradutora. 
Em 1842, a feminista brasileira escreve Conselhos à Minha filha e durante sua estadia, em 1858, na Itália, ela o traduz para a língua italiana.
“Consigli a Mia Figlia” é recomendado pelo bispo de Mandovi para uso nas escolas de Piemonte. E em 1859, ele é publicado em francês Conseils à ma Fille traduzido por Bray de Brayer.
Ficamos curiosos em saber como teria sido essa autotradução. Mais um estudo a ser feito.

segunda-feira, 2 de março de 2015

O plágio traduzido por Nísia Floresta

Aqui já havia descrito sobre a tradução de Nísia Floresta Brasileira Augusta do livro A vindication of rigths of Woman de Mary Wollstonecraft.
Entretanto, ao ler a pesquisa de Maria Lúcia Garcia Pallares-Burke, na qual ela fez um cotejo da obra orginal e sua tradução no artigo A Mary Wollstonecraft que o Brasil conheceu, ou a travessura Literária de Nísia Floresta averiguamos que o livro traduzido não foi o de Mary W., mas sim o título de Woman not inferior to man de Sophia, a Person of Quality que na verdade é um plágio inglês do do texto de Pulain de La Barre, a saber De l’Égalité des Deux Sexes (1673) - o que explica até mesmo o título em português.
As diferenças entre o texto de La Barre e o texto de Sofia não são grandes, bem como as diferenças entre o texto desta última e o de Mary W. com a exceção de uma ou outra substituição ou subtração, bem como a redução do texto.
Logo, podemos concluir que o texto de Mary Wollstonecraft nunca foi traduzido no Brasil e está ainda por ser traduzido.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Alguns trabalhos brasileiros sobre tradução de HQs e Mangás

Esta postagem traz algumas referências sobre a tradução de quadrinhos e mangás no Brasil:

aqui As traduções da Mafalda no Brasil - que história é essa? de Bárbara Zocal da Silva e Heloíza Pesa Cintrão
aqui O Mundo de Mafalda: Problemas de Tradução entre a Língua Espanhola e a Língua Portuguesa de Patrícia Mata
aqui Mafalda: analisando aspectos políticos e da tradução de Silvia Maria Rabelo
aqui Uma Malfada entre Brasil e Argentina, não muito mais que isso! de Paulo Ramos
aqui Da análise crítica ao exercício da tradução do humor: dificuldades, estratégias e possibilidades. de Suele Souza Damasceno
aqui Desvendando os segredos da tradução de Quadrinhos: uma análise da Tradução de Romeu e Julieta, da Turma da Mônica de Camila Paula Camilotti e Elisângela Liberatti
aqui A Tradução Intersemiótica na Turma da Mônica de Elisangela Liberatti e Thiago Marquez
aqui Questionando a funcionalidade das traduções do Chico Bento para o inglês de Michelle de Abreu Aio e Elisângela Liberatti
aqui Chico Bento em Inglês: uma proposta funcionalista. de Elisângela Liberatti
aqui Entrevista com Érico Assis, tradutor de histórias em quadrinhos. de Elisângela Liberatti
aqui Histórias em quadrinhos: imagem e texto em tradução de Sabrina Moura Aragão e Adriana Zavaglia
aqui Metodologia de análise em traduções de histórias em quadrinhos: geração de dados a partir da análise da HQ francesa Asterix de Adriano Clayton da Silva
aqui Uma análise semântica dos diminutivos na tradução dos quadrinhos "Tintin en Amérique" para o português brasileiro de Renato Miguel Basso e Michele Bete Petry
aqui Romeu e Julieta em quadrinhos: uma tradução semiótica de Amanda Curvelo e Elinês Oliveira
aqui As histórias em quadrinhos e a tradução: o caso de Sandman, romance gráfico de Neil Gaiman de Maiara Alvim de Almeida
aqui Ética versus estética: a tradução dos quadrinhos para o cinema em Sin City de Soraya Ferreira Alves e Fabiano Rodrigues Albuquerque
aqui A tradução das histórias em quadrinhos: critérios de avaliação de José Manuel da Silva
aqui Por trás dos balões: um estudo da adaptação das histórias me quadrinhos norte-americanas publicadas no Brasil de Fernando Ribeiro Passarelli
aqui O "som" do silêncio: traduções/adaptações de onomatopeias e mimésis japoneses nos mangás traduzidos para a língua portuguesa de Renata Garcia de Carvalho Leitão
aqui Imagem e texto em tradução: uma análise do processo tradutório nas histórias em quadrinhos de Sabrina Moura Aragão
aqui Tradução e adaptação de mangás: uma prática linguístico-cultural de Rafael Schuabb Poll da Fonseca
aqui O mangá Death Note nas telas: uma tradução intersemiótica de Michelle Takashima Walter
aqui Hagane no Renkinjutsushi: do mangá para o animês de Michelle Takashima Walter
aqui Transposição do mangá para animê e live action: diálogo entre diferentes mídias de Michelle Takashima Walter
aqui  A tradução quadrinhística: sinais de conflito entre imagem e texto de Gisele Marion Rosa.
aqui Transsignificações híbridas e teorias da recepção: interferências gráfico-visuais e tradutivas na trajetória editorial da obra Peter Pan no Brasil de Paula Mastroberti
       Do quadrinho à poesia: um relato pessoal dos desafios na tradução do idioma alemão para o português de Augusto Machado Paim em Tessituras do imaginário poético: ensaios de poesia moderna.
aqui Watchmen: Quem forma seu formato? de Kátia Hanna.
        Adaptação em quadrinhos como tradução de Líelson Zeli em Quadrinhos e Literatura: Diálogos possíveis.

Além desses artigos, há também um livro brasileiro específico sobre o assunto:

Pescando Imagens com rede textual: HQ como Tradução de Andreia Guerini e Tereza Virgínia Barbosa



Boa leitura a todos!

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Tradução/Localização de Games no Brasil

O mercado de games no Brasil cresce a cada ano. Em sua maioria, eles são produzidos no exterior e chegam ao Brasil. Todavia, eles precisam passar pelas mãos do tradutor/localizador para tornar o game acessível àqueles que o querem usurfruí-lo em língua vernácula e no Brasil.

A respeito deste mercado e deste tipo de tradução, eis alguns artigos e pessoas que pensaram sobre o assunto:

Primeiramente, a edição especial de 2013 da revista In-traduções sobre "Games e Tradução" :

Editorial

Apresentação
Cristiane Denise Vidal, Viviane Maria Heberle

Artigos

A Localização de Games no Brasil – Um ponto de vista prático
Bruna Luizi Coletti, Lennon Motta

Magic The Gathering sob a ótica da Gramática Visual
Meggie Fornazari

Emulação e emuladores:de Aristóteles ao Atari 2600
Roberto Mário Schramm Jr

Venuti e os Videogames: o conceito de domesticação/estrangeirização aplicado à localização de games
Ricardo Vinicius Ferraz de Souza 


Depois disso, temos o dossiê dedicado a esse tema da revista Cadernos de Tradução em 2014:

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Não é de Victor Hugo !

O poema "Desejo" não é de Victor Hugo, mas circula na internet em francês e em português como se fosse.
Originalmente ele é nomeado "Os votos" de autoria do poeta gaúcho Sergio Jockymann, publicado em 1980 no Jornal Folha da Tarde, de Porto Alegre-RS.

Eis o poema em Português e sua versão para o francês:


OS VOTOS

Pois, desejo primeiro que você ame e que amando, seja também amado,
E que se não o for, seja breve em esquecer e esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo depois que não seja só, mas que se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos e que, mesmo maus e inconseqüentes, sejam corajosos e fiéis,
E que em pelo menos um deles você possa confiar, que confiando, não duvide de sua confiança.
E porque a vida é assim, desejo ainda que você tenha inimigos, nem muitos nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes, você se interpele a respeito de suas próprias certezas
E que entre eles haja pelo menos um que seja justo, para que você não se sinta demasiadamente seguro.
Desejo, depois, que você seja útil, não insubstituivelmente útil,
Mas razoavelmente útil. E que nos maus momentos, quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé. Desejo ainda que você seja tolerante,
não com os que erram pouco, porque isso é fácil, mas com aqueles que erram muito e irremediavelmente,
E que essa tolerância não se transforme em aplauso nem em permissividade,
Para que assim fazendo um bom uso dela, você dê também um exemplo para os outros.
Desejo que você, sendo jovem, não amadureça depressa demais e que, sendo maduro,
não insista em rejuvenescer e que, sendo velho, não se dedique a desesperar.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
é preciso deixar que eles escorram dentro de nós.
Desejo, por sinal, que você seja triste, mas não o ano todo,
nem em um mês e muito menos numa semana, mas apenas por um dia.
Mas que nesse dia de tristeza, você descubra que o riso diário é bom,
o riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra com o máximo de urgência, acima e a despeito de tudo,
Talvez agora mesmo, mas se for impossível, amanhã de manhã,
que existem oprimidos, injustiçados e infelizes,
e que estão à sua volta, porque seu pai aceitou conviver com eles.
E que eles continuarão à volta de seus filhos, se você achar a convivência inevitável.
Desejo ainda que você afague um gato, que alimente um cão
e ouça pelo menos um joão-de-barro erguer triunfante o seu canto matinal.
Porque assim você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
por mais ridícula que seja, e acompanhe o seu crescimento dia-a-dia,
para que você saiba de quantas muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro, porque é preciso ser prático.
E que, pelo menos uma vez por ano, você ponha uma porção dele na sua frente e diga:
Isso é meu. Só para que fique bem claro quem é dono de quem.
Desejo ainda que você seja frugal, não inteiramente frugal,
não obcecadamente frugal, mas apenas usualmente frugal.
Mas que esse frugalismo não impeça você de abusar quando o abuso se impõe.
Desejo também que nenhum dos seus afetos morra, por ele e por você.
Mas que, se morrer, você possa chorar sem se culpar e sofrer sem se lamentar.
Desejo, por fim, que sendo mulher você tenha um bom homem,
E que sendo homem, tenha uma boa mulher.
E que se amem hoje, amanhã, depois, no dia seguinte, mais uma vez,
E novamente, de agora até o próximo ano acabar,
E que quando estiverem exaustos e sorridentes,
ainda tenham amor para recomeçar.
E se isso só acontecer, não tenho mais nada para desejar.

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Je te souhaite… (infelizmente não sei quem foi o tradutor.)


Je te souhaite d'abord que tu aimes
Et qu'en aimant, tu sois à ton tour aimé.
Et, si ce n'est pas le cas, que tu puisses vite oublier
Et qu’après avoir oublié, tu ne gardes aucune rancune.
Je ne souhaite pas que cela en soit ainsi, mais si c’est le cas
Que tu saches « être » sans désespérer.

Je te souhaite aussi que tu aies des amis,
Et même s'ils sont mauvais et inconséquents,
Qu'ils soient vaillants et fidèles.
Et qu’entre eux, il y ait au moins un,
À qui tu puisses te confier sans crainte.
Et parce que la vie est ainsi faite,

Je te souhaite aussi que tu aies des ennemis.
Ni trop, ni trop peu, juste la bonne mesure, pour que parfois,
Tu puisses questionner tes propres certitudes.
Et que parmi eux, il y ait au moins un qui soit juste,
Pour que tu ne te sentes pas trop sûr de toi...

Je te souhaite aussi que tu sois utile,
Mais point irremplaçable. Et que dans les mauvais moments,
Quand il ne te restera plus rien,
Que cette utilité t’aide à te maintenir debout.
De la même manière, je te souhaite aussi que tu sois tolérant.
Pas avec ceux qui se trompent peu, parce que cela est facile,
Sinon avec ceux qui se trompent beaucoup et inévitablement.
Et que faisant bon usage de cette tolérance,
Que tu serves d’exemple à d’autres.

Je te souhaite qu’étant jeune, tu ne mûrisses point trop vite
Et qu’une fois mûr, que tu n’insistes pas à rajeunir,
Et qu’étant vieux, que tu ne te laisses pas au désespoir.
Parce que chaque âge à son plaisir et sa douleur
Et il est nécessaire de les laisser couler entre nous.

Je te souhaite de ce pas, que tu sois triste.
Pas toute l’année sinon à peine un jour.
Mais que ce jour, tu découvres que le rire journalier est bon,
Que le rire habituel est ennuyeux et que le rire constant est malsain.

Je te souhaite que tu découvres, urgemment, au-delà et malgré tout,
Qu’il existe et t’entourent des êtres opprimés,
Traités avec injustice et des personnes malheureuses.

Je te souhaite que tu caresses un chat,
Que tu donnes à manger à un oiseau
Et que tu écoutes le chardonneret se dresser
Triomphant avec son chant matinal,
Parce que de cette manière, tu pourras te sentir bien pour un rien.

Je souhaites que tu plantes une graine,
Pour plus petite qu’elle soit et que tu l’accompagne dans sa croissance.
Pour que tu puisses découvrir de combien de vies est fait un arbre.

Je te souhaite en plus que tu aies de l’argent,
Parce qu’il est nécessaire d’être pratique.
Et qu’au moins une fois par an,
Tu mettes une partie de cet argent devant toi
Et que tu dises "Ceci est à moi",
Seulement pour tirer au clair qui est maître de qui.

Je te souhaite qu’aucun de tes affectionnés ne meurt.
Mais si l’un d’eux arrive à mourir, que tu puisses pleurer
Sans te lamenter et souffrir sans te sentir coupable.

Je te souhaite enfin qu’étant homme, tu aies une bonne femme.
Et qu’étant femme, tu aies un bon mari.
Demain et après-demain et quand vous soyez épuisés et souriants,
Que vous puissiez parler d’amour pour recommencer.
Et si toutes ces choses viennent à t’arriver,
Je n’ai plus rien d’autre à te souhaiter…


Uma simples análise do poema em francês comprova que ele não é de Victor Hugo pela simples ausência do verso alexandrino, característica própria do escritor francês no que se refere à poesia.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

O papa e o concílio

Em 1877, o jovem Rui Barbosa efetua a tradução do livro O papa o concílio, um compêndio alemão  de autoria de Janus (pseudônimo do apostata Döllinger) que traz fortes argumentos contra a infabilidade do papa.



A edição deste livro foi toda financiada pelo próprio Rui Barbosa. O interessante é que o livro original contêm quase 300 páginas e na edição brasileira ele tem mais de 600 páginas. De fato, a tradução deste livro no Brasil é considerada como um grande manifesto a favor da liberdade de expressão e de culto.
A tradução é dividida da seguinte forma: Prefácio do tradutor, introdução do tradutor e o livro traduzido. No prefácio é explicada a motivação da tradução:

Ora, a respeito della a nossa Literatura - salva a propaganda, brilhante, infatigavel, admiravel, heroica, mas solitaria, de Ganganelli - é ainda pauperrima, para bem dizer, nulla. No sentido liberal, principalmente, a escassez é ainda mais deplorave!. Até agora não possuimos um trabalho methodico, amplo, que irradie luz sobre toda a esphera da questão. Sem presumpção; sem nenhuma confiança a não ser no mais árduo, aprofundado e consciencioso estuclo, exercido muitas vezes em mananciaes até agora talvez inteiramente inexplorados entre nós; sem nenhuma ambição mais que a de servir modestamente nossa patria. concorrendo com alguns materiacs irrefugaveis para a instauração da liberdade religiosa, pareceu - no metter mãos à tentativa. 
[…]

A Europa olhou-o como o manifesto do catholicismo liberal; governos desse continente houve, que o fizeram traduzir, outros que o distribuiram gratuitamente entre o clero; todos os idiomas cultos, salvo talvez unicamente o portuguez, vernaculisararn-no; e o jesuitismo poz a preço a sua refutação. (pág. XII)


Já na introdução com mais de 260 páginas, Rui Barbosa explica o que é a Questão Religiosa no Brasil e no mundo e escreve um verdadeiro manifesto incentivando a separação entre Estado e Igreja e a conscientização entre liberdade individual e coletiva.
Se não bastasse o tamanho da voz do tradutor no prefácio e especialmente na longa introdução, a tradução do livro em si traz inúmeras notas com o seguinte dizer Nota do tradutor brasileiro.
Há quem diga que Rui Barbosa se arrependeu de seu feito devido à edição ter ficada encalhada em diversas livrarias e ter tido a resistência de setores católicos à época. Alguns estudiosos de Rui Barbosa até mencionam que por obra deste arrependimento, ele teria não mais permitido a reimpressão do livro; mas que, após sua morte, muitas editoras teriam reimprimido o livro sem porém adicionarem o prefácio que o tradutor havia feito explicando seu remorso.
Entretanto, este não deixa de ser um caso interessante da História da tradução no Brasil.