Mostrando postagens com marcador Casos famosos de tradução no Brasil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Casos famosos de tradução no Brasil. Mostrar todas as postagens

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Reivindicação dos direitos das mulheres



Anteriormente no blog, já havíamos comentado aqui sobre sobre a adaptação de Nísia Floresta da clássica obra A vindication of rigths of Woman de Mary Wollstonecraft que possívelmente ela teria traduzido. Depois, comentamos aqui que na realidade, segundo Maria Lúcia Garcia Pallares-Burke, a escritora teria traduzido um plágio que circulava na Europa em francês. E então, comentamos que a tradução desta obra de Mary Wollstonecraft até hoje ainda não havia sido feita direta do inglês.

Todavia, descobrimos recentemente que a tradução de A vindication of rigths of Woman de Mary Wollstonecraft foi feita ano passado (2015) e  a obra se encontra, pela primeira vez, disponível em português do Brasil pela editora Boitempo.

O livro é um clássico do feminismo do século XVIII com ideias inovadoras e reflexões ainda válidas sobre o papel da mulher na sociedade e a opressão do homem a gêneros diferentes ao dele.

Vale a pena ler! 

Parabéns Boitempo pela iniciativa da publicação de tão importante obra nos dias atuais!

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Ainda Sobre o Papa e o Concílio

Em postagem anterior já havia mencionando sobre a tradução de Rui Barbosa de O Papa e o Concílio.
Pesquisando em folhetins, encontrei a nota abaixo do jornal O Figaro: Folha Ilustrada que data de 16 de junho de 1877 publicado no Rio de Janeiro:



O editor aclama com louvor a tradução empreendida por Rui Barbosa. Além disso, percebe-se a ênfase dada ao texto como importante instrumento para o debate da Questão Religiosa no Brasil Império.

segunda-feira, 2 de março de 2015

O plágio traduzido por Nísia Floresta

Aqui já havia descrito sobre a tradução de Nísia Floresta Brasileira Augusta do livro A vindication of rigths of Woman de Mary Wollstonecraft.
Entretanto, ao ler a pesquisa de Maria Lúcia Garcia Pallares-Burke, na qual ela fez um cotejo da obra orginal e sua tradução no artigo A Mary Wollstonecraft que o Brasil conheceu, ou a travessura Literária de Nísia Floresta averiguamos que o livro traduzido não foi o de Mary W., mas sim o título de Woman not inferior to man de Sophia, a Person of Quality que na verdade é um plágio inglês do do texto de Pulain de La Barre, a saber De l’Égalité des Deux Sexes (1673) - o que explica até mesmo o título em português.
As diferenças entre o texto de La Barre e o texto de Sofia não são grandes, bem como as diferenças entre o texto desta última e o de Mary W. com a exceção de uma ou outra substituição ou subtração, bem como a redução do texto.
Logo, podemos concluir que o texto de Mary Wollstonecraft nunca foi traduzido no Brasil e está ainda por ser traduzido.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

O papa e o concílio

Em 1877, o jovem Rui Barbosa efetua a tradução do livro O papa o concílio, um compêndio alemão  de autoria de Janus (pseudônimo do apostata Döllinger) que traz fortes argumentos contra a infabilidade do papa.



A edição deste livro foi toda financiada pelo próprio Rui Barbosa. O interessante é que o livro original contêm quase 300 páginas e na edição brasileira ele tem mais de 600 páginas. De fato, a tradução deste livro no Brasil é considerada como um grande manifesto a favor da liberdade de expressão e de culto.
A tradução é dividida da seguinte forma: Prefácio do tradutor, introdução do tradutor e o livro traduzido. No prefácio é explicada a motivação da tradução:

Ora, a respeito della a nossa Literatura - salva a propaganda, brilhante, infatigavel, admiravel, heroica, mas solitaria, de Ganganelli - é ainda pauperrima, para bem dizer, nulla. No sentido liberal, principalmente, a escassez é ainda mais deplorave!. Até agora não possuimos um trabalho methodico, amplo, que irradie luz sobre toda a esphera da questão. Sem presumpção; sem nenhuma confiança a não ser no mais árduo, aprofundado e consciencioso estuclo, exercido muitas vezes em mananciaes até agora talvez inteiramente inexplorados entre nós; sem nenhuma ambição mais que a de servir modestamente nossa patria. concorrendo com alguns materiacs irrefugaveis para a instauração da liberdade religiosa, pareceu - no metter mãos à tentativa. 
[…]

A Europa olhou-o como o manifesto do catholicismo liberal; governos desse continente houve, que o fizeram traduzir, outros que o distribuiram gratuitamente entre o clero; todos os idiomas cultos, salvo talvez unicamente o portuguez, vernaculisararn-no; e o jesuitismo poz a preço a sua refutação. (pág. XII)


Já na introdução com mais de 260 páginas, Rui Barbosa explica o que é a Questão Religiosa no Brasil e no mundo e escreve um verdadeiro manifesto incentivando a separação entre Estado e Igreja e a conscientização entre liberdade individual e coletiva.
Se não bastasse o tamanho da voz do tradutor no prefácio e especialmente na longa introdução, a tradução do livro em si traz inúmeras notas com o seguinte dizer Nota do tradutor brasileiro.
Há quem diga que Rui Barbosa se arrependeu de seu feito devido à edição ter ficada encalhada em diversas livrarias e ter tido a resistência de setores católicos à época. Alguns estudiosos de Rui Barbosa até mencionam que por obra deste arrependimento, ele teria não mais permitido a reimpressão do livro; mas que, após sua morte, muitas editoras teriam reimprimido o livro sem porém adicionarem o prefácio que o tradutor havia feito explicando seu remorso.
Entretanto, este não deixa de ser um caso interessante da História da tradução no Brasil.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Os médicos tradutores do século XIX

Os tradutores do século XIX eram oriundos de todos os ramos da sociedade. Muito se fala dos tradutores literários, mas os tradutores técnicos e de outros ramos das ciências duras e humanas também fizeram fama e muito contribuíram para a sociedade brasileira. Vejamos alguns médicos tradutores deste período:

Pirajá da Silva



Tradutor da clássica obra do naturalista alemão Von Martius, Das Natureli die Kankheiten, das Arzthum und die Heilmittel der Urbewhner Brasiliens (Natureza, doenças, medicina e remédios dos índios brasileiros).


Caetano Lopes de Moura


Tradutor de inúmeros livros do francês para o português nas áreas de geografia, história e literatura.

José Martins Fontes



Tradutor de seus próprios livros para outros idiomas.

João Francisco da Silva Lima



Tradutor  do Código de Ettica Médica adoptado pela associação Médica Americana.

Bezerra de Menezes



Tradutor das obras póstumas de Allan Kardec no Brasil.

Joaquim Carlos Travassos



Tradutor de obras de iniciação ao Espiritismo Kardecista no Brasil.

César Augusto Marques



Tradutor de obras nas áreas de história e geografia.

Todos esses médicos traduziram importantes obras no Oitocentos. Eles foram grandes mediadores culturais e incentivadores da intelectualidade e da ciência no Brasil à época.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Ana Maria Machado Autotradutora?

O livro From Another World de Ana Maria Machado foi traduzido por Luísa Beata, a filha da autora. Devido à autora (que também é tradutora profissional) estar por perto e sempre ter acompanhado a tradução da filha considera-se que essa foi a única e ou talvez a primeira autotradução de Ana Maria Machado até o momento.



Para Verena Jung,  que estuda a autotradução não-literária, um dos tipos de autotradução é condicionada à execução da tarefa, podendo o tradutor ter a colaboração de outro tradutor profissional. Caso este que se encaixa na problemática de Do outro mundo de Ana Maria Machado.

Um artigo e uma dissertação discutem este caso interessante:

Aqui A decisão de Traduzir o próprio texto, motivações e consequências: um breve estudo dos casos dos escritores brasileiros Ana maria Machado e João Ubaldo Ribeiro de Maria Alice Antunes e Bianca Walsh.
Aqui A ação dos componentes da patronagem sobre a literatura infanto-juvenil brasileira: o efeito sobre a tradução de Do outro mundo de Ana Maria Machado


quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Nísia Floresta - Tradução do feminino ou o feminino traduzido?

Nísia Floresta Brasileira Augusta era o pseudônimo de Dionísia Gonçalves Pinto, uma educadora e escritora potiguar do século XIX. É considerada a pioneira do feminismo no Brasil.



Nísia é um exemplo singular nos Estudos de Tradução porque realizou - até onde se sabe - apenas a tradução do livro A vindication of rigths of Woman de Mary Wollstonecraft. Todavia, sua tradução é famosa porque, ao traduzir livremente, adaptou o livro para o público brasileiro.


Segundo os estudiosos da obra da autora, o livro Direitos das mulheres e injustiça dos homens de Nísia Foresta não seria uma tradução livre, mas uma obra inspirada no livro da feminista inglesa.
Tal tradução ou obra inspirada é considerada o primeiro trabalho da América Latina a respeito do feminismo.
O interessante deste caso seria fazer um cotejo entre a obra de Mary Wollstonecraft e a de Nísia Floresta para saber se realmente é um novo livro ou uma tradução livre - e até que ponto livre.