domingo, 13 de maio de 2018

Muira Ubi ou Maria do Espírito Santo Arcoverde, outra intérprete indígena



Maria do Espírito Santo Arco Verde é o nome europeu da Índia tabajara chamada Muira Ubi.

Ela era filha do chefe e cacique Arco Verde (Ubira Ubi). Ficou conhecida por intermediar pela vida do próprio marido com quem teve oito filhos. Se Muira Ubi não tivesse intermediado por ele, Jerónimo de Albuquerque teria sido comido pelos índios canibais.

De fato, Albuquerque, em Janeiro de 1548, caiu derrotado nas mãos de indígenas que o condenaram ao sacrifício. Entretanto, Muira Ubi se apaixonou pelo português e intercedendo por ele junto ao pai, conseguiu o perdão. O matrimônio dos dois intermediou um acordo de paz entre portugueses e tabajaras.

Pouca coisa se sabe sobre essa intérprete.

Aqui está mais uma pesquisa a ser feita!

sexta-feira, 11 de maio de 2018

A Fantástica História (Ainda Não Contada) da Tradução no Brasil



Acaba de ser lançando um livro muito inspirador para os adirmiradores do ofício de traduzir/interpretar das autoras Damiana Rosa de Oliveira e Andreia de Jesus Cintas Vazquez.




O livro é construído numa linguagem fácil e acessível para grande público. Para os iniciantes em história da tradução, o livro traz muitos fatos curiosos. Já para os não-leigos, o livro traz nomes de tradutores, e, especialmente de tradutoras que merecem aprofundamento dos futuros pesquisadores da área.

Aconselho a leitura!

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Maria Velluti - tradutora e atriz

Uma tradutora do século XIX esquecida pela história, mas que fez muita diferença no Oitocentos se chama Maria Velluti. Bruna Feola Monteiro reuniu vários dados sobre essa tradutora em um pequeno texto disponível aqui.
Eis o resumo do texto:

As primeiras traduções de peças teatrais realizadas por mulheres no Brasil datam do século XIX. As portuguesas se destacaram nessa área, como a atriz e tradutora Maria Velluti. Suas traduções são o enfoque dessa comunicação, uma vez que ela foi uma das mulheres que mais traduziram para o português durante o período, sendo assim, responsável pela disseminação de clássicos e sucessos italianos e franceses no Brasil.


Boa leitura!

quarta-feira, 11 de abril de 2018

MULHER[idades] & Tradução no Brasil

Participarem do simpósio
MULHER[idades] & Tradução no Brasil que acontecerá no evento IV COLÓQUIO INTERNACIONAL DE LITERATURA E GÊNERO entre os dias 5 a 7 de setembro de 2018.






Resumo do simpósio:


A tradução no Brasil sempre um ofício de homens e este fato é comprovado pela história e pelo apagamento de figuras femininas na narrativa historiográfica patriarcal ainda vigente no senso comum. Se a recente História das Mulheres vem reivindicando o papel feminino e mostrando sua importância para a formação dos Estados-nações, os Estudos Feministas solicitam um olhar epistemológico para esse tipo de pesquisa. Apoiado tanto na disciplina História quanto na epistemologia feminista, os Estudos de Tradução, disciplina transdisciplinar, têm trazido novos questionamentos para as relações entre tradução e mulheridades (termo que abarcar o conceito de mulher para além do conceito biológico): Quem é tradutora? Quais seus nomes? O que traduzem? Como traduzem? Para quem traduzem? De onde traduzem? Existe uma voz tradutora no texto traduzido? Tradutora só traduz texto de mulheres? Qual a relação entre mercado de trabalho e tradutoras? Há uma diferença entre tradutores e tradutoras? Todos esses questionamentos que envolvem o olhar feminista e a reinvindicação das mulheridades atualmente são questões que envolvem representatividade, visibilidade, pensamento feminista, direitos humanos, discurso (de)construído e descolonização (do saber, do ser e do poder) por intermédio da escrita enquanto tradução. A recontextualização de um texto de uma mulher em outra cultura, ou de um texto qualquer feito por uma mulher pode envolver tanto diferenças culturais quanto questionamentos sociais e políticos. Repensar a tradução a partir do sujeito – no nosso caso a mulher - que a realiza é observar quais as possíveis relações entre o agente de tradução e seu processo de produção. Segundo Antoine Berman, o ato de traduzir envolve ao mesmo três princípios: o projeto de tradução, o horizonte do tradutor e a posição tradutiva. Isto é, ao traduzir uma tradutora tem algumas concepções de como ela pretende realizar sua tradução e além disso, ela está inserida em um tempo/espaço próprio, um contexto pessoal, social, político e cultural que de alguma forma afeta seu fazer tradutório. A partir destas reflexões o presente simpósio pretende abarcar reflexões sobre: a pesquisa em tradução feminista, a tradução de autoras dentro da perspectiva mulheridades, a história de tradutoras, experiências tradutórias, teorias feministas da tradução, a tradução engajada, questões de lesbianidade e transexualidade na tradução, perspectivas étnicas da tradução feminista, dentre outros temas.


Resumo do simpósio: https://www.academia.edu/36436672/Chamada_de_Simpósio_MULHER_IDADES_E_TRADUÇÃO_NO_BRASIL_Até_30_de_maio_
Site para inscrição:
http://icilg.uespi.br/

quinta-feira, 29 de março de 2018

Múltiplos horizontes da tradução na América Latina

Dossiê muito interessante sobre a tradução na América Latina na Revista Trabalhos de Linguística Aplicada 

v. 57, n. 1 (2018)
Múltiplos horizontes da tradução na América Latina

Sumário
Apresentação
Horizontes da tradução na América Latina
Dennys Silva-Reis, Liliam Ramos da Silva


Dossiê
Tradução: espelho da mudança? Mafalda responde
Marcos Bagno
A literatura no rádio e na televisão: traduções intersemióticas na América Latina?
Dennys Silva-Reis
Não me chame de mulata: uma reflexão sobre a tradução em literatura afrodescendente no Brasil no par de línguas espanhol-português
Liliam Ramos da Silva
Tendencias deformantes y paratextos en la traducción al inglés de Huasipungo, de Jorge Icaza
Pilar Cobo González, Roberto Bein
Traduzir a metapoética em Eikónes de Luciano: das versões espanholas de “Os retratos” até uma versão argentina de “Imagens”
Gabriela Baralle, Ivana Chialva
A tradução como política linguística: o caso da Unasul
Guilherme Queiroz, Marcos Bagno, Júlio César Neves Monteiro
A tradução como potência para a tradição literária
Karina de Castilhos Lucena
Por uma (po)ética da convivência: Antoine Berman, a América Latina e a tradução em manifesto
Simone Christina Petry
Ina Césaire e os contos crioulos martinicanos: desafios de tradução
Patrícia Chittoni Ramos Reuillard, Samanta Vitória Siqueira
Diáspora negra em contexto de tradução: discutindo a publicação de Mulheres, raça e classe, de Angela Davis, no Brasil
Luciana de Mesquita Silva
La sintaxis de los enunciados téticos y categóricos en dos traducciones de Corazones solitarios de Rubem Fonseca al español
Paulo Pinheiro-Correa
Culturas legítimas: la traducción de historietas latinoamericanas en Brasil
Barbara Zocal
Um estudo sobre a formação de tradutores e intérpretes de línguas de sinais
Juliana Guimarães Faria, Anabel Galán-Mañas
Competência em tradução e línguas de sinais: a modalidade gestual-visual e suas implicações para uma possível competência tradutória intermodal
Carlos Henrique Rodrigues
A desambiguação de palavras homônimas em sentenças por aplicativos de Tradução Automática Português Brasileiro-Libras
Ygor Corrêa, Rafael Peduzzi Gomes, Carina Rebello Cruz
Sincretismo religioso como estratégia de sobrevivência transnacional e translacional: divindades africanas e santos católicos em tradução
Tito Lívio Cruz Romão

Boa leitura!

segunda-feira, 26 de março de 2018

SIMPÓSIO ABRALIC: 67 - SENTIDOS DA TRADUÇÃO: ASSIMETRIA, APROPRIAÇÃO E CRÍTICA

Prezad@​s, 
Convido a todos a participarem do Simpósio 67 - Sentidos da tradução: assimetria, apropriação e crítica que acontecerá no evento da Associação Brasileira de Literatura Comparada entre os dias 30 de julho e 3 agosto.


67 - SENTIDOS DA TRADUÇÃO: ASSIMETRIA, APROPRIAÇÃO E CRÍTICA

Coordenação: Daniel Padilha Pacheco da Costa (UFU)
Dennys Silva-Reis (UnB/POSLIT)

Resumo:

Desde o final do século XVIII e início do XIX, a excessiva valorização da originalidade do escritor relegara a tradução à condição de simulacro. Com isso, a tradução e a crítica literária colocaram-se ambas a serviço do trabalho filológico. Considerando a tradução como uma das modalidades de crítica literária, essa concepção visava oferecer subsídio para a compreensão do “original” (SCHLEIERMACHER, 2010). As ramificações dessa concepção não se limitam a poetas do Romantismo alemão como, por exemplo, Johann Wolfgang von Goethe e Friedrich Hölderlin, mas ainda podem ser encontradas em meados do século XX, como testemunha sua presença em filósofos como Walter Benjamin e Martin Heidegger (BERMAN, 1989).
Com a intensificação do processo de globalização nos anos de 1970, emergiu um campo transdisciplinar de estudos sobre tradução. A emergência dos Estudos da Tradução coincide com a destituição do privilégio dado à escrita como suporte privilegiado de transmissão do conhecimento, sendo, portanto, acompanhada pelo declínio das disciplinas tradicionalmente associadas à transmissão de textos escritos. Entre essas disciplinas figura, por exemplo, a história literária, que tinha sido a responsável pela transmissão dos cânones nacionais, os quais, por dois séculos, gozaram de grande prestígio cultural como a expressão máxima da língua e da cultura nacionais.
        Com sua emergência, esse novo campo de estudos integra não apenas as modalidades tradutórias anteriormente existentes – como os diferentes gêneros de tradução de textos escritos, que podem ser classificados como literários, religiosos, filosóficos ou científicos, por exemplo –, como também novas modalidades – como a localização, a tradução de games, a tradução de textos multimodais ligados aos suportes digitais e à internet, as formas de tradução relacionadas à acessibilidade, entre outras. Assim, os Estudos da Tradução englobam todos os tipos de modalidade textual (oral, escrito, digital) e de suporte intersemiótico (visual, sonoro, gestual, tátil).
Na origem dos Estudos da Tradução como campo transdisciplinar autônomo, podem ser encontradas diversas abordagens teóricas sob a rubrica de Estudos Descritivos de Tradução. Os teóricos pertencentes à Escola de Tel Aviv permitiram ampliar enormemente o escopo da área, que passou a apreender a relação indissociável entre a tradução e as condições materiais, intelectuais e sociais de recepção e transmissão nos polissistemas da cultura de chegada (TOURY, 1995). Para a teoria da manipulação (LEFEVERE, 2007), a prática tradutória deixou de ser isolada das diferentes modalidades de reescrita a que está intimamente vinculada, como a edição, a produção de antologias de textos, de compêndios de histórias literárias, de trabalhos de referência e de críticas.
      Esse novo campo de estudos é contemporâneo de outros eixos transdisciplinares, como os Estudos de Gênero, os Estudos Pós-Coloniais e os Estudos Culturais. Intercambiando conceitos, métodos e abordagens oriundos dessas áreas, a teoria da visibilidade procura desvendar as relações de poder ocultadas por trás das representações culturais, linguísticas e identitárias entre países, classes, gêneros e culturas diferentes (VENUTI, 2002). Os estudos realizados em países de história colonial, que estabeleceram com as nações consideradas do hemisfério norte uma longa história de trocas linguísticas, culturais e identitárias, conferem uma contribuição decisiva para a compreensão das complexas relações de poder necessariamente envolvidas em todo ato tradutório, pois destes interstícios culturais advém parte da modelagem do sujeito colonial e da diferença colonial na negociação de relações interculturais (SCHARLAU, 2003).
As relações de poder envolvidas em toda tradução também concernem à apropriação cultural – no que concerne à América Latina, inclusive, Georges Bastin, Álvaro Echeverri e Ángela Campo (2004) nomeiam como paradigma da tradução nesta região o conceito de tradução apropriada – pelas classes sociais responsáveis pela justificação da hierarquia existente no interior dos diferentes países. Desde a antiguidade romana, a tradução foi um motor central de apropriação cultural capaz de assentar o poder imperial, como testemunha a relação entre as tópicas latinas da translatio studii e da translatio imperii.
No Brasil, a apropriação cultural promovida pela tradução foi definida por meio da metáfora do canibalismo tupinambá, cunhada pelo modernista Oswald de Andrade. A derradeira poética da tradução formulada pelo concretista Haroldo de Campos descreve o papel desempenhado pela tradução como um processo de apropriação das diferentes culturas envolvidas na formação da identidade nacional (VIEIRA, 1999). Embora seja comumente utilizada para designar a tradição brasileira de tradução (SNELL-HORNBY, 2006), a metáfora do canibalismo foi retomada por outros teóricos para explicar os processos de hibridização envolvidos nas traduções realizadas em um mundo pós-colonial e globalizado (CONFIANT, 2010).
Assim, a tradução parece ter se tornado um paradigma essencial da contemporaneidade, a qual passa a ser definida por alguns teóricos como a Era da tradução (CRONIN, 2013). Embora variem radicalmente as línguas, culturas, períodos, modalidades e suportes envolvidos, as diferentes concepções de interação assimétrica, de apropriação cultural e de crítica hermêneutica continuam a ser designadas por um único termo – tradução. Neste simpósio, pretende-se reunir trabalhos que aprofundem, através de seus respectivos objetos de pesquisa e pressupostos teóricos, os diferentes sentidos assumidos por esse termo polissêmico na contemporaneidade.


REFERÊNCIAS:
BASTIN, Georges; ECHEVERRI, Álvaro; CAMPO, Ángela. La traducción en América Latina: Propria y Apropriada. Estudios de Investigaciones Literarias y Culturales. Caracas, n. 24, p. 69-94, 2004.
BERMAN, Antoine. A tradução e a letra ou o albergue do longínquo. Trad. Marie Helène Catherine Torres, Mauri Furlan e Andreia Guerini. Rio de Janeiro: 7Letras/PGET, 2007.
SCHARLAU, Birgit. Repensar la Colonia, las relaciones interculturales y la traducción. Iberoamericana. Madrid, v. 3, n. 12, p. 97-110, 2003.
CONFIANT, Raphaël. L’Autre-Même: traduire dans un monde post-colonial et globalisé. Université des Antilles et de la Guyane: Service commun de la documentation, 2010. Disponível em:
http://www.manioc.org/fichiers/HASH01bc100c35a75d9bcf162c23. Acesso em: 23 mai. 2017.
CRONIN, M. A era da tradução: tecnologia, tradução e diferença. In: ROSVITHA, F. B.; PETERLE, P. (Org.). Tradução e relações de poder. Tubarão: Copiart, 2013, p. 193-222.
LEFEVERE, André. Tradução, reescrita e manipulação da fama literária. Trad. Claudia Matos Seligmann. Bauru: Edusc, 2007.
SCHLEIERMACHER, Friedrich. Sobre os diferentes métodos de tradução. Trad. Margarete von Mühlen Poll. In: HEIDERMANN, Werner (org.). Clássicos da teoria da tradução (alemão-português). UFSC: Florianópolis, 2010, p. 39-100.
SNELL-HORNBY, M. The Turns of Translation Studies: New Paradigms or shifting viewpoints. Amsterdam; Philadelphia: John Benjamins, 2006.
TOURY, Gideon. Descriptive Translation Studies and beyond. Philadelphia/Amsterdam: John Benjamins, 1995.
VENUTI, Lawrence. Os Escândalos da Tradução. Trad. L. Perlegrin, L. M. Villela, M. D. Esqueda e V. Biondo. Bauru: EDUSC, 2002.
VIEIRA, Else Ribeiro Pires. Liberating Calibans: readings of Antropofagia and Haroldo de Campos’ poetics of transcreation. In: BASSNET, S. e TRIVEDI H. (org.). Post-colonial Translation: Theory and practice. Nova Iorque & Londres: Routledge, 1999, p. 95-113.

Resumo do simpósio: https://www.academia.edu/…/Chamada_de_trabalhos_-_SIMPÓSIO_…
Site para inscrição: http://www.abralic.org.br